quinta-feira, 31 de março de 2011

Um Almoço Diferente



De repente Dona Carolina deixou cair o garfo e soltou um grunhido. Todos se precipitaram para ela, abandonando seus lugares à mesa: filha, o genro os netos:
           - Que foi, mamãe?
 - Dona Carolina, a senhora está sentindo alguma coisa?
- Fala conosco, vovó?
            A velha porém só fazia arranhar a garganta com sons estrangulados, a boca aberta, os olhos revirados para cima.
            - Ai meu Deus, amor! O que aconteceu com minha mãe? Ligue para a emergência, agora! Rápido!
            Sem pensar duas vezes, Hugo correu em direção ao telefone e discou – Alô? Aqui é da emergência? Venham rápido! Minha sogra desmaiou enquanto estávamos almoçando!
            Enquanto isso, Rita e Igor tentavam acalmar sua mãe e tentavam acordar sua querida avó.
            Em um tempo de mais ou menos quinze minutos, a ambulância chegou e levou a pobre coitada para o hospital.
            Chegando lá, ela foi submetida a uma cirurgia, em que detectaram que uma espinha de peixe havia tapado o local de respiração, mas que após a cirurgia ela iria ficar bem.
            Já no quarto, todos só queriam descansar e poder voltar para casa para terminar o almoço porque como todos nós sabemos... Comida de avó é muito boa!

                                                                                                     Mariana de Paula Vasconcelos

domingo, 27 de março de 2011

O triste, porém inusitado velório









Em uma tarde calma com a família,Silvia estava assistindo à televisão quando o telefone tocou.Ao atender,recebeu a péssima notícia de que seu tio tinha morrido.Desligou o telefone e foi andando lentamente até seu quarto.Não sabia se chorava pela perda ou se começava a pensar em como iria contar a notícia seus pais .Minutos depois, resolveu ligar para a sua irmã Cecília e dizer para que as duas juntas contassem a notícia a seus pais.Contada a notícia,Silvia e Cecília começaram a chorar,lembrando dos momentos passados com seu tio.

No dia seguinte,já mais calma,Silvia ligou para a mulher do falecido para confirmar o horário e o local do enterro.Subiu para a casa de seus pais ( as duas famílias moram no mesmo prédio ) com a roupa que iria usar mais tarde,para lá mesmo se arrumar e sair.Passou o resto da tarde conversando com seus pais,até que foi se arrumar.O pai de Silvia foi o último a ficar pronto,pois era o irmão do falecido e não sabia se iria mesmo conseguir comparecer ao enterro.Todos prontos,Silvia abre a porta do apartamento para receber Cláudia e Cecília,cunhada e irmã de Silvia.Todos sem falar muitas palavras entram no carro e partem para o local do enterro.

Ao chegar ao cemitério, encontram muitos familiares profundamente tristes,pois o falecido era muito querido por toda a família.Especialmente para Silvia,era o seu tio favorito.Como tinha muita gente perto do caixão,Silvia ficou um tempo conversando com alguns primos,até realmente ir se despedir de seu tio . Foi um momento profundamente triste,e não conseguiu conter o choro.Após as despedidas,as mulheres presentes se juntaram dentro da pequena capela do velório e resolveram rezar o terço.Começaram a rezar em unisolo quando de repente uma velha senhora,aparentemente bêbada,entra às pressas dentro da capela.Gritando bem alto,a velha senhora começa a acompanhar a reza.Enquanto todos rezavam : " Rogai por nós " a velha senhora dizia : " Rogai POR ELE ! ";e em seguida olhava para Silvia e perguntava : " é ele ou é ela ? " . Todos se entreolharam com expressões de riso,mas sem poder rir.A velha senhora realmente não conhecia o falecido,mas estava decidia a rezar por ele.

Depois de uns minutos de reza,chega outra mulher dentro da capela,mas  estava bem lúcida.Não queria rezar,e sim tirar a velha senhora bêbada de lá.Achou ela ao lado de Silvia e foi correndo em sua direção . " vamos fulana,não é aqui não ! é a capela alí do lado ! ".Mais uma vez todos se entreolharam com expressões de riso,e dessa vez com mais vontade de rir.A mulher não estava ali por acaso.Realmente tinha que ir para um enterro.Porém,por talvez ter ficado bastante triste ao receber a notícia,tenha bebido além da conta,e acabou errando de velório.Mesmo sendo avisada várias vezes de que estava no velório errado,a velha senhora não queria sair. " Não ! Eu vou ficar aqui ! Vou rezar por ele ! Só saio daqui quando terminar o terço ! " . Dessa vez os olhares não foram de riso,e sim de espanto.

Mal tinham começado a rezar e ninguém aguentava mais a bêbada.Notando o comentário da velha senhora de só sair depois que acabassem o terço,a mãe de Silvia deu um pequeno beliscão em Cláudia,para que essa começasse logo o Salve a Rainha,pois é a última reza do terço.Entendo o recado, Cláudia começou, e o resto foi logo a seguindo." Rogais por nós Santa Mãe de Deus,Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.Amém ! ". E a velha senhora,aparentemente sem ter notado o pequeno pulo de rezas,gritou " AMÉM ! ".E logo depois saiu com sua companheira em direção ao outro enterro.

As duas senhoras mal deram poucos passos e todos dentro da capela começaram a rir.Nunca tinham visto tal feito antes." Que senhora mais amorosa não ? Rezando por quem nem conhece ! " . Silvia pensava que não fosse rir num dia tão triste assim,mas o que é o destino.Até nas horas mais tristes ele vem nos surpreender.

Sonhos de uma Gorda

Estou me olhando no espelho pela quinta vez e ainda não é nem meio dia. Acontece que eu realmente preciso perder alguns dos meus 187,5kg. Eles estão começando a me incomodar. Dou uma olhadinha na minha barriga. Definitivamente diminui desde os 5 minutos atrás, quando eu olhei pela última vez. Já que eu já tive o almoço 1 e o almoço 2, minha alma de magra não me permite ter o almoço 3.
    Realmente estou melhorando. ‘Compras’, pensei. Vou estrear meu mais novo corpo. Minha mãe diz que as três abdominais que fiz ontem não adiantaram de nada, mas sinto que ela está com inveja do meu desempenho. Nada como uma tarde de comida, ops, compras.
    Escolho a loja Roupas Finas, minha predileta! Não compro nada lá, pois dizem que suas roupas não se adaptam ao meu corpinho com curvas. Agora isso é passado! Entro lá, com a maior confiança. Até que a atendente é simpática, a fofa. ‘Gostaria de comprar um presente para alguém?’ Ela ainda acha que eu sou generosa! Sorrio para ela e pego uma calça jeans 46. Tudo bem que o meu numero antigo era 70, mas a gente se adapta, certo? Afinal, o jeans cede, não é mesmo? Todos eles cedem.
   Vou ao provador. Mal reconheço a mim mesma. Tão confiante! Acho que já emagreci mais alguns quilos, só de empolgação! Suor é sinônimo de calorias a menos, certo? Nem acredito nisso. Coloco a primeira perna. E depois a segunda, ela subiu! Bem, até as coxas. Bom, agora só me resta usar a técnica de ‘prender a respiração’. Todo mundo faz isso, certo? Todas as celebridades e tal. Pronto. Deu certo! Uau, estou linda. Vou comprá-la!  
   Espera. Quanto custa?
   O QUÊ???
   Hm, melhor tirar. Isso aqui custa o preço do meu carro, ou da minha casa. Talvez o preço da minha mãe. É, vou tirar.
   Agora é só prender a respiração mais uma vez. Talvez duas. Na verdade, três é o número da sorte.
    Ai, meu Deus. Ela não sai! É tão perfeita que não quer deixar o meu corpo. Bom, e agora?
     Liguei para a minha mãe. Ela disse que ia me buscar. Tenho certeza de que ela vai adorar! Preferi não citar o preço.


    Agora estou numa maca. Isso mesmo. Na verdade, quando minha mãe veio me buscar, eu não consegui ir ao seu encontro, minhas pernas não se mexiam! Fiquei um pouco preocupada. Mas, quando os médicos chegaram, fiquei mais calma. Eles disseram que precisavam de uma maca especial para me levar, só porque eu sou especial. E também teve alguma coisa bacana para me levar até a maca; tipo um guindaste. Tiveram até bombeiros.
     Foi bem legal. Escuto uns estalos... a calça está sendo rasgada, tanto investimento e eles estão destruindo a minha calça?
Bom, pelo menos tudo isso teve um lado positivo. Sinto minhas pernas mais finas agora, e visualmente dá pra perceber isso, bom, eu acho.

Mariana Lima

quinta-feira, 24 de março de 2011

APENAS UM SORRISO

TEXTO DE RV RIBEIRO



       Preciso ir ao osteopata três vezes na semana e sempre pego o elevador, não por comodidade e sim porque é preciso, pois fica no décimo terceiro andar. Desde a primeira vez que fui, nunca vi a ascensorista dar um sorriso (e eu já estou indo há duas semanas), sempre séria, cabelos crespos e  amarrados em um coque, uma senhora com expressões de quem não tem o costume de ofertar sorrisos, de quem tem o amargor na vida.

       Hoje, foi um dia como outros quaisquer. Acordei, fui ao colégio, estudei, conversei, fui para minha sessão no osteopata e, novamente, encontrei-me com a tal “senhora séria”... Tudo normal, nada que eu pudesse dá uma certa importância especial.

       Terminei a sessão e peguei o elevador para descer, coincidência, não sei, diante de tantos elevadores, peguei logo o da “senhora séria”. Enquanto o elevador descia e parava lentamente em vários andares até chegar ao térreo notei, novamente, no semblante daquela senhora sempre séria, um ar de melancolia. Vi várias pessoas entrarem e eram raras as que davam bom dia.

      Cheguei ao pátio e as pessoas iam seguindo seus trajetos. Antes de deixar o elevador, percebi que aquela senhora estava diferente, foi então que vi que estava com o cabelo alisado, pintado e de novo corte. Por força do impulso, olhei e disse que seu cabelo estava lindo. Ela, talvez, sem acreditar, disse: “O que você falou? E repeti com maior ênfase, “Seu cabelo está lindo!”. Ela não agradeceu, apenas ficou me olhando com uma expressão perplexa. Deixei o elevador e fui esperar meu pai.

       Enquanto aguardava meu pai, vejo a mesma "senhora séria" vindo em minha direção, desta vez com um lindo sorriso. Disse-me com muita clareza e certeza: "Você é a menina mais meiga que eu já conheci, obrigada." E saiu

       Até aquele momento o meu dia estava normal, mas o sorriso verdadeiro e contagiante daquela senhora, que antes eu julgava não existir, foi o suficiente para tornar um dia normal em especial.




                                                              RV Ribeiro



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1974

TEXTO DE RV RIBEIRO


      Entrei no meu quarto apressadamente, estou à procura do cartão do médico que recebi há alguns meses atrás e só agora me interessa. Abro a gaveta e remexo as coisas de lá para cá, não encontro o cartão, mas acho uma agenda velha, com folhas amareladas e algumas soltas e rasgadas por conta do tempo decorrido e, para a minha surpresa, essa era a minha "agenda secreta" na adolescência. Paro de procurar o cartão e decido folhear o objeto que tanto me deu saudade.
     Abro aleatoriamente em uma página e assim que vejo, logo solto um sorriso: é a página com a foto do nosso "grupinho". Minha memória leva-me instantaneamente aos momentos marcantes daquela época.
     Era o ano de 1974, estávamos todos sentados no banguinho da praça conversando e tomando sorvete. Faziamos isso todos os dias depois da aula, já era regra. Embora parecesse algo comum, essa  "regra" nos tornava felizes, pois foi exatamente lá que descobrimos que a amizade está nos  detalhes. Aquele banco se tornou o nosso ponto de encontro. Foi lá que, um dia, conversamos, brincamos, brigamos, fizemos as pazes...
      Percebo que uma lágrima percorre os caminhos rugosos do meu rosto e permito que outras as acompanhe. As lembranças são fortes e sinto que sentimentos invadem meu coração, até então vazio. São sentimentos que me fazem bem, que me fazem ver o quanto, um dia, fui feliz.
      Decido ligar para nosso "grupinho" para marcar de nos encontrarmos na praça para mais um sorvete e, quem sabe assim, reviver cada momento como em 1974.


                                                         

                                                             RV Ribeiro
fotohttps://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvI2F6HEfjnX1Qpc1SN5ISt3HJLAJJ-8dzY0TvZGbHRU570Qj_4NbT549CY7wTTSuWn9TbmqOzx1H7gGUIrwjzLkE5HOf84A7nT44tXX0VIFGLy4CcSqtUQlkNcYOzO3xGAik3mg8kR8mu/s320/livro+antigo.jpg

MAIS UMA VEZ

TEXTO DE RV RIBEIRO
              Os primeiros anos de vida suscitaram em mim o gosto pela aventura. O meu pai dizia não saber bem o porquê da existencia e vivia mudando de trabalho, de mulher e de cidade. A característica mais marcante de meu pai era sua rotatividade. Dizia-se filósofo sem livros, com uma única formatura: o pensamento. Eu no começo achava meu pai tão-só um homem amargurado por ter sido abandonado pela minha mãe quando eu era de colo. Morávamos então no alto da Rua Ramiro Barcelos, em Porto Alegre,  meu pai me levava para passear todas as manhãs na praça Júlio de Castilhos e me ensinava os nomes das árvores, eu não gostava de ficar só nos nomes, gostava de saber a característica de cada vegetal, a régio de origem. Ele me dizia que o mundo não era só aquelas plantas, era também as pessoas que passavam e as que ficavam e que cada um tem seu drama.
                 Ficava pensando no que ele disse: será que é tão importante as pessoas que por aqui passam? Essa questão ficou rondando minha "cachola" a ponto de tomar uma decisão: iria investigar o dia-a-dia da praça Júlio Castilhos. Ás sete da manhã, já estava de "detetive" no banco da praça, fingindo ler o jornal do dia enquanto observava as pessoas. Ao meio dia, já estava cansado e não tinha visto nada de importante, só o vai e vem de pedestres. Em cinco horas, não cheguei à conclusão alguma, então, por que meu pai dissera que cada pessoa tem seu drama, sua importância?
                  Fui falar com meu pai, disse-lhe que estava enganado, que na praça só existiam pessoas para la e para cá, nada demais. E ele veio-me com mais uma de suas frases que me intrigam, retirada do Pequeno Príncipe: "O essencial é invisivel para os olhos." Na hora, apenas sorri.
               Decidi continuar minha investigação, queria provar para o meu pai que ele estava errado. No quarto dia, descobri a raíz de minhas dúvidas. Meu pai tinha razão! Além de cada árvore daquela ser única na praça, cada pessoa também era, cada uma com uma história: a velha que discutiu com o dono da banca de revistas, que por sua vez ajudou o menino pobre dando-lhe canetas, que por sua vez acolheu e deu nome ao gatinho abandonado pelo "dono das indústrias"... E assim o ciclo vai se formando, é só olhar com o coração.
                Hoje, três anos depois do falecimento de meu pai, eu posso dizer mais uma vez: meu pai tinha razão!                     
                                                                                              
                                                             RV Ribeiro

Grande amigo Lampião

            Era um menino alegre. Vivia com sua mãe, seu pai e seu eterno companheiro, Lampião, um pequeno vira-lata que lhe proporcionava muita diversão.
            Passavam dias e noites correndo pelas ruas, jogavam bola e tomavam banho de rio. Lampião adorava quando Júnior, seu dono, dava-lhe sorvete.
            Certa tarde, Júnior decidiu ir assistir ao desfile da esquadrilha da fumaça na Beira-mar. Ele estava muito feliz, pegou Lampião, amarrou-o na sua coleirinha humilde, feita de corda e foram os dois andando até o local do desfile.
            Júnior assistiu ao desfile deslumbrado, sonhando em ser um grande piloto de avião. Decidiu que era hora de ir embora quando viu que o sol estava se pondo. Olhou para a sua mão e viu somente a coleira. Lampião não estava mais lá.
            Passou dias e noites procurando Lampião, colocou cartazes e distribuiu panfletos pela cidade. Chorou muito, pois sentia falta de todos os dias felizes que passou com seu melhor amigo.
            Ele passou vários anos indo até a beira mar na esperança de achar o seu amado cãozinho.
            Certo dia, quando ele estava, mais uma vez, esperando por Lampião, avistou no horizonte um pequeno cãozinho que se parecia muito com ele. Olhou várias vezes, até que o cachorro desapareceu dentre os carros.
            Não se sabe ao certo se realmente era Lampião. Mas depois de toda a espera, aquela simples imagem o reconfortou e devolveu um pedaço do seu coração, que Lampião havia levado.

Iohana Arruda

Mais que a tela de um computador

              
Ficava em seu quarto assistindo televisão ao invés de estudar, todos os dias. Nos últimos dias, não conseguia largar a TV ou o computador, a não ser quando sua mãe o obrigava a ir à escola, e mesmo assim, quando ia, levava seu celular de última geração e passava toda a aula mandando mensagens de texto para seus amigos. A tecnologia o rodeava. Tinha pais bem sucedidos, sua mãe era empresária e seu pai advogado.
             Certo dia, depois de chegar a casa, fez um lanche rápido e foi usar o computador, após alguma horas, passou mal e desmaiou, só acordou quando já estava no hospital. Seu médico disse que ele estava com um problema chamado anemia e que precisava se alimentar melhor, comer mais feijão e fazer mais exercícios físicos. O menino não deu atenção, depois de voltar para casa, foi assistir TV.
            Continuou fazendo o que costumava fazer todos os dias, mas aquela rotina não o agradava mais. Depois de um tempo, ele percebeu que não tinha mais amigos, não saía mais de casa nem se divertia mais.
            Voltou a ter anemia, mas dessa vez, era mais intensa, mais perigosa, teve que ficar quatro dias internado em um quarto de hospital, e enquanto esteve lá, conheceu outras crianças, crianças que tinham problemas piores que anemia, não tinham computador e, ainda assim, eram mais felizes do que ele. Então ele percebeu que a vida vai muito além da tela de um computador. Depois da internação, acordava cedo por livre e espontânea vontade e ia pra escola.

   Túlio Oliveira.

Preconceito se liga aos Defeitos


      Estava passando por um colégio ao término da aula, quando me deparei com uma menina visivelmente tímida, gordinha e sem muitos amigos ou talvez sem nenhum, para ser franca.
     Logo atrás dela, avistei um grupo de garotas rindo e apontando em sua direção, como se tivessem debochando dela, algo que eu confirmei, assim que eu vi uma lágrima descendo pelo seu rosto.
      A menina frustrada com a situação limpou rapidamente e delicadamente a lágrima, tentando disfarçar os seus sentimentos pelos quais estava passando, mas apesar do seu esforço, ela não conseguiu se conter e desmoronou no choro, saindo correndo como se estivesse com medo de olhar para trás.
      Avistei novamente as garotas indelicadas, e agora estavam rindo, olhei para frente e retomei o meu caminho, agora com outra meta de vida.

  J.A

Tragico




A família ficou perplexa, a velha estava sofrendo, começara a se debater no chão e assim a angustia estava tomando conta do ambiente onde outrora havia rostos felizes, agora só havia expressões amargas dominando o rosto das duas.
No meio do pânico, sua filha tenta ligar para a emergência, balbucia algumas palavras : seu endereço emergência e rápido, e a atendente falou em poucas palavras em um tom maligno :
-Não atendemos mais trotes, vá fazer algo melhor!
E a ligação cai, abalada a filha desmaia batendo a cabeça na quina da mesa de vidro, quebrando-a e abrindo um enorme orifício  na cabeça da mulher. Jorrava sangue no carpete da sala, acabou desmaiando sem poder ao menos ajudar sua mãe.
Um terror assolou a garota, ver sua mãe e avo morta  na mesma situação momento. A desolou sem mais ninguém no mundo para dar sentido a ela, sem família e sem amigos só sobrava ela, percebeu que  não havia necessidade de tentar mais viver a sua vida, e acabou com ela.

André Galvão

Pedaço de terra

retirado de:http://farm2.static.flickr.com/1014/718364076_623e4a4642.jpg?v=0

                     

Ouvi primeiro o ruído de cascos pisando a grama, mas continuei deitado de bruços na esteira que havia estendido ao lado da barraca. Senti nitidamente o cheiro acre, muito próximo. Virei-me devagar, abri os olhos. O cavalo erguia-se interminável à minha frente. Em cima dele havia uma espingarda apontada para mim e atrás da espingarda um velhinho de chapéu de palha, que disse logo o seguinte:
            - Pode sair do meu terreno.
            Pensei em levantar e em sair dali, gritar, mas o cano da arma me fez pensar melhor. Sem outra alternativa, tentei argumentar:
            - Desculpe senhor, não sabia que este terreno era seu. Se o senhor tirar essa arma de cima de mim, posso arrumar minhas coisas e sair.
            O velho resmungava. Pude perceber ele tragando o cigarro. A sua roupa, um pouco suja, a camisa meio aberta. Ele olhava fixamente para mim. O sol estava nascendo e eu só ouvia o barulho de grilos e da respiração do cavalo perto de mim.
            - Diga-me, porque você está aqui? – O velho deu outra tragada no cigarro e jogou-o no chão.
            -Eu? Estou procurando um trabalho, de vaqueiro, soube que há vagas nas proximidades... – não sabia o que dizer. Sabia que ali havia uma arma apontada para mim. Comecei a me levantar e sentei na esteira. – conhece o “Seu morim”?
            Sua cara se fechou. Apertou com as mãos o cabo da espingarda. Ajeitou-se no cavalo, que começara a procurar a grama.
            -Você não parece ser daqui. – olhou para a minha barraca, examinou o local. – você parece ser um “olheiro”, ou estou enganado?
            -Não senhor, não sou não. – comecei a suar. Ele desceu do cavalo e começou a chutar de leve a barraca. Ser olheiro não era uma coisa boa. Principalmente para um fazendeiro.
            -Não gosto de gente invadindo minhas terras. – fez um gesto com a mão – Levanta e sai daí.
            Levantei-me. Enrolei a esteira, desarmei a barraca, pus tudo dentro do saco e fui embora. Andei e olhando para trás de vez em quando vi que o velho continuava ali. Ouvi um estouro. No céu, pássaros voavam assustados. Senti o chão. Cada vez mais fraco e com um peso imensurável em minhas costas. Estava morrendo. Nunca deveria ter aceitado esse emprego. 
                                                                                                            Estrela

                                                                                                                /o/

A CONVERSA

    Estava em meu quarto, mexendo nas gavetas esquecidas do armário à procura de documentos que precisava para fazer minha inscrição no vestibular, quando encontrei uma foto de dez anos atrás dos meus parentes, que me fez voltar ao passado e lembrar de coisas já esquecidas por muitos.
     Era manhã de sábado, mas não era um dia qualquer: Era o dia da formatura de meu irmão mais velho, Guilherme. Todos estavam ansiosos que chegasse logo a lua, para que todos podessem ir para a festa, que prometia grandes surpresas.
    A comemoração já havia começado quando percebi que todos estavam chorando, e então cheguei perto de meu irmão, sem entender nada, e ele me disse que estavam chorando não por estarem tristes, e sim felizes com a conquista que ele conseguiu. Mesmo tendo que superar e enfrentar grandes obstáculos durante o percurso, e disse para mim que mesmo com todos os desafios da vida, não deveria desistir de meus objetivos, pois sem eles não chegaria a nenhum lugar.
Então percebi que aquele conselho foi muito importante para minha vida, pois consegui tudo aquilo que queria, e agora vou fazer aquilo que mais gosto, que é criar coisas e calcular: vou virar um engenheiro civil.

 Chrystian Weslley de Sousa Cavalcante dos Santos
Foto:http://www.sagradafamilia.org.br/blog-italo/wp-content/familia.jpg

"Posso saber qual é a cor do seu cabelo?"


 Não gosto muito de ir ao salão, mas por nunca ter aprendido a pintar as unhas (nem as minhas nem as dos outros), sou obrigada a ir de vez em quando. Esse zelo pelas unhas e outros cuidados femininos às vezes fazem com que eu receba algumas lições. Não estava assim tão cheio, eu era a única esperando a vez, todas as outras clientes já estavam sendo atendidas.
  Acho que já era a terceira vez que eu virava as página de uma dessas revistas que tenta prever o fim da novela, mesmo quando ainda está no segundo capítulo, quando uma garotinha me cutucou e perguntou com uma cara pidona: “Posso saber qual é a cor do seu cabelo?”, e apontou para o catálogo de tinturas de cabelo que ela carregava na mão.
  Eu deixei, e ela passou um tempo puxando uma mecha minha para tentar descobrir qual era o nome da cor do meu cabelo. Depois de um tempo, ela desistiu e disse que achava que era castanho com vermelho.
  Depois disso ela me contou toda a vida dela. Descobri que seu nome era Ana e que tinha sete anos. Falamos de cachorros, escola e Bob Esponja. Antes de ir embora, ela me deu um abraço apertado e me agradeceu por ter sido sua melhor amiga nesse dia.
  Fiquei pensando no que ela disse e percebi que se a gente se permitisse ser um pouco como a Ana, um pouco mais simpáticos e sem-vergonha (no bom sentido), com certeza iríamos ter muitos melhores amigos por um dia, por uma semana e quem sabe até pra vida inteira.

Carrah.

A vida continua...

            Estava atrasado para ir ao cartório, ia me casar hoje. Lembrei-me que eu tinha que levar alguns documentos, então fui procurar no meu armário, geralmente guardava-os dentro de uma caixa dentro do armário. O único problema era que havia muitas caixas ali.
              Não conseguia encontrar os tais documentos, eu devia ter me preparado antes. Peguei outra caixa e esvaziei-a, de dentro dela caiu um envelope cor de rosa, logo me veio à memória aquela garota que eu tanto amei.
              Nós éramos muito unidos, quase inseparáveis. Éramos melhores amigos, conhecíamo-nos desde de sempre. Lembro-me que foi quase impossível pedí-la em namoro, na hora, as palavras não saíam, mas no fim ela entendeu e aceitou. Tudo estava ótimo, sempre saíamos nos fins de semana, estudávamos juntos, sempre "grudados". Mas, alguns dias depois de completar 18 anos, ela faleceu. Tinha uma doença muito grave, o tratamento só a enfraqueceu, sua imunidade caiu e estava ficando cada vez pior.
              A depressão estava me corroendo, eu estava solitário, ela era minha única companhia. Então, oito anos depois, eu conheci minha noiva atual. É claro que não a amo como amei Aline, mas é como dizem, a vida tem que continuar...


      Túlio Oliveira

Pobreza acarreta a Infelicidade


                                         

Estava sentada no banco do carro de meu pai, quando me deparei com homens maltrapilhos que logo pela manhã limpavam o vidro dos carros que passavam por aquele sinal. Redobrei o meu olhar para um morador de rua que parecia ter seus dez anos, o qual mostrava sua total infelicidade pela sua situação.
    Retomamos o caminho para a escola, mas a minha vontade era ficar ali e tentar resolver os problemas de todos aqueles que se mostravam naquela situação, principalmente, daquele que me chamou atenção. No caminho, dialogávamos sobre a pobreza do mundo, a desigualdade social; pedia ao meu pai para arranjar uma solução, o qual nem movia os olhos.
      Entre um sinal e outro, sempre me deparava com a mesma cena, onde cada vez mais ficava triste. Até que resolvi fazer um acordo com meu pai: na volta da escola, pararíamos no sinal que o garoto se encontrava e distribuiríamos sopinha para todos os que necessitavam daquele apoio, onde o garoto seria resgatado, pois o cativei.
        Em questão de minutos, chegamos ao colégio, ao descer disse poucas palavras, mas que era de grande significado, “amai o próximo como a ti mesmo”. Com isso minha manhã se tornou melhor por soltar toda aquela angústia que vinha carregando por todo aquele caminho até a escola.


Mary.*

Confissões

     De repente Dona Carolina deixou cair o garfo e soltou um grunhido. Todos se precipitaram para ela, abandonando seus lugares à mesa: a filha, o genro, os netos: 
   -Que foi, mamãe?
   -Dona Carolina, a senhora está sentindo alguma coisa?
   -Fala conosco, vovó!
   A velha porém só fazia arranhar a garganta com sons estrangulados, a boca aberta, os olhos revirados para cima.
Tentando falar, a velha só conseguia grunhidos e gemidos. A filha, nervosa e ao mesmo tempo curiosa, disse: - Mamãe, o que aconteceu para a senhora estar tão assustada?
E, com um olhar assustado, ela chega perto da filha:
- Preciso falar com você em particular. É um assunto sério, que vai precisar de muita atenção sua.
- Claro. Por favor, querido, leve as crianças para assistir televisão, preciso de um momento sozinha com minha mãe.
O marido assustado com aquela reação da sogra, leva os filhos para a sala, onde eles perguntam:
- Pai, nossa vovó vai morrer?
- Não, filho. Ela está com a saúde de uma criança.
A filha chega para a mãe, Dona Carolina, e lhe abraça:
- Mãe, o que a senhora disser, tentarei com muita paciência compreender os motivos.
Ainda chorando e com soluço, Dona Carolina enxuga as lágrimas:
- O que vou falar tem a ver com seu pai.
- Meu pai? Mas ele está morto. Faleceu num acidente na estrada antes de eu nascer.
-Não, filha. Ele está vivo.
- Por que? Como? Onde?
-Filha, o que vou lhe contar será impressionante. Seu pai acabou de passar frente de nossa casa.
A filha, surpresa com a notícia, sai correndo para a porta, mas, atravessando a rua, ouve a palavra:
- Filha...!

Chrystian Weslley de Sousa Cavalcante dos Santos

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Sorria, você está sendo filmado

          Ele era um cidadão pacato e comum. Ficou feliz ao saber que ia ser implantado um sistema de segurança com câmeras em sua cidade, afinal, quem não gosta de se sentir seguro? Só não imaginava que ele mesmo seria vigiado.
          A primeira advertência veio quando ele jogou um papel no chão. Deu o braço a torcer, sabia que era errado.
          A segunda veio quando ultrapassou o sinal vermelho, mesmo sendo apenas alguns milésimos depois da luz amarela se apagar.
          A terceira veio quando foi filmado comendo um hambúrguer, já que agora o sistema de segurança agora cuidava "não só da sua segurança, mas também da sua saúde".
          Depois dessa vieram muitas outras: por usar roupas que não combinavam, por estar com o relógio atrasado, por estar com o corte de cabelo fora de moda e até por não usar óculos escuros num dia de sol.
          Ele não aguentava mais receber essas malditas advertências, e resolveu passar os dias em casa, sentado. Pensou que assim estaria, finalmente, livre.
          Mas, recebeu uma advertência por sedentarismo.
          Depois desse dia, as câmeras da região onde ele morava misteriosamente pararam de funcionar. O seu paradeiro é desconhecido. Nenhuma câmera o captou desde então.

          Ana Beatriz Moura

Uma Noite em Roma

                   Ano passado, fiz uma viagem com minhas amigas do colégio à Europa. Uma das noites que mais me recordo foi a que passamos em Roma.
                   Chegamos por volta das 19 horas e fomos andar pela cidade. Visitamos a Fontana Di Trevi, onde fizemos nossos pedidos. Depois, os coordenadores deram um tempo livre para jantarmos e não pensamos duas vezes: fomos comer massa! Na ida ao hotel, tivemos que pegar um táxi e fomos admirando a bela paisagem da cidade.
                   No hotel, fomos orientados a ir para o quarto e não abrir a porta para ninguém, pois havia acontecido um problema em um quarto.
                   Eu e minha companheira de quarto, Clara, obedecemos e subimos rapidamente. Quando fomos abrir a porta do quarto, ela já estava destrancada. Entramos e vimos que a janela do quarto estava aberta e a luz do banheiro acesa. Ficamos apavoradas e conferimos se não havia alguma pessoa escondida.
                   Felizmente não tinha nenhuma pessoa. Essa noite foi uma das mais divertidas e assombrosas que eu tive na viagem.
                
                                                                                          Mariana de Paula Vasconcelos

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Engasgo da Morte



                                                             
De repente Dona Carolina deixou cair o garfo e soltou um grunhido. Todos se precipitaram para ela, abandonando seus lugares a mesa: a filha, o genro, os netos:
_ Que foi mamãe?
_ Dona Carolina, a senhora está sentindo alguma coisa?
_ Fala conosco, vovó.
A velha, porém só fazia arranhar a garganta com sons estrangulados, a boca aberta, os olhos revirados para cima.
Os seus familiares, percebendo o que estava acontecendo, foram chamar a ambulância.
Porém, o socorro que chamaram não foi preciso, pois a mulher estava apenas engasgada com um pedaço de carne que não a deixava respirar.
Sua filha lhe deu um abraço forte por traz para ajudar sua mãe a retirar a comida entalada. A operação foi feita com sucesso e o pedaço de carne que a incomodava foi parar longe de sua garganta.
Todos aliviados se sentaram novamente para terminar a refeição.
J.A


Escrita


 retirado de: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh3QN0bE_qRggcv6saxARioOj-80IqEfDMYLyrfJgedR-O1LEscbFWjxrmQeDnoTj5b4xoeFI_MB332h33UCBKwqjFDWqFxpeRUlul5jDsR7LzkMhYGhZNQ8qFb5j1hQb5VoR_vrew46cU/s1600/livros3.jpg


            A dificuldade de escrever pode interromper uma grande idéia, a dificuldade de agir pode impedir um grande ato. Escrever e agir não são exatamente a mesma coisa, mas os dois têm um poder de mudar gerações, mexer com as pessoas e fazer revoluções.
            Grandes atos nascem de idéias, grandes livros nascem de atos. O poder de gravar suas idéias, mesmo que sejam em uma folha suja de papel, dá ao escritor coragem para lutar e margem para chamar pessoas que apóiem em sua causa. Livros baseados em pessoas, em guerras, acidentes, milagres. Livros que explicam teorias, religiões, até mesmo sistemas socioeconômicos. Livros que explicam essas teorias e religiões às crianças. Crianças essas, que vão agir segundo aqueles que as inspiraram; que vão criar novas idéias, que vão protagonizar novos atos.
            A história molda os livros, e os escritores moldam a história. Todos que lutam por um ideal, todos que dão suporte, seja a revolução ou a conservação, todos que idealizaram utopias e criaram líderes rigorosos, todos que incentivaram um governo popular e que foram deturpados em sistemas de repressão, deram espaço para a mudança que acontece a cada segundo e que nos salva de nós mesmos.
            Dizem que um texto não muda nada. Eu digo que, se o texto não muda nada, a ação, a idéia que ele traz, pode sim, mudar alguma coisa. Um livro, uma página, uma frase. Afinal, como diz monteiro lobato, “um país se faz com homens e livros”.
                                                                                                                     Estrela      

                                                                                                                      /o/

Cena da Morte


                                    

De repente Dona Carolina deixou cair o garfo e soltou um grunhido. Todos se precipitaram para ela, abandonando seus lugares a mesa: a filha, o genro, os netos:
_ Que foi mamãe?
_ Dona Carolina, a senhora está sentindo alguma coisa?
_ Fala conosco, vovó.
A velha estava de boca aberta, mas mesmo assim não pronunciava nenhuma palavra. Seus olhos apresentavam-se arregalados, porém não olhava para lugar algum. Suas mãos trêmulas, como de quem temia alguém.
Dentro da casa da velha, escutava-se uma gritaria, onde não se conseguia distinguir de quem era a voz de cada grito daquele que chamava multidões para prestar socorro.
A filha e a neta entraram em uma discussão sobre os possíveis problemas que a velhinha podia apresentar. A netinha dizia para a mãe que talvez tivesse ocorrido um infarto, que por milagre de Deus, tornou a viver sem ajuda de ninguém. O genro argumentou que a empregada poderia ter envenenado a velha.
Dentro os gritos de desespero e os palpites do possível problema da senhora, deparei-me com a empregada que ria no canto da cozinha dizendo :
_ Meu plano deu certo.
Já ia dar um pulo de alegria,quando a velha mexe os braços, dizendo :
_ Não foi dessa vez. Vi todo o seu plano e ensaiei uma cena para deixá - la feliz. Desculpa família. Agora pegue suas trouxas, se mande daqui.
A empregada fez o que foi pedido, quando estava na porta de entrada, disse:
_ Vocês vão sentir na pele o que é cuidar de velho.
Mary.*