De repente Dona Carolina deixou cair o garfo e soltou um grunhido. Todos se precipitaram para ela, abandonando seus lugares à mesa: a filha, o genro, os netos:
-Que foi, mamãe?
-Dona Carolina, a senhora está sentindo alguma coisa?
-Fala conosco, vovó!
A velha porém só fazia arranhar a garganta com sons estrangulados, a boca aberta, os olhos revirados para cima.
Tentando falar, a velha só conseguia grunhidos e gemidos. A filha, nervosa e ao mesmo tempo curiosa, disse: - Mamãe, o que aconteceu para a senhora estar tão assustada?
E, com um olhar assustado, ela chega perto da filha:
- Preciso falar com você em particular. É um assunto sério, que vai precisar de muita atenção sua.
- Claro. Por favor, querido, leve as crianças para assistir televisão, preciso de um momento sozinha com minha mãe.
O marido assustado com aquela reação da sogra, leva os filhos para a sala, onde eles perguntam:
- Pai, nossa vovó vai morrer?
- Não, filho. Ela está com a saúde de uma criança.
A filha chega para a mãe, Dona Carolina, e lhe abraça:
- Mãe, o que a senhora disser, tentarei com muita paciência compreender os motivos.
Ainda chorando e com soluço, Dona Carolina enxuga as lágrimas:
- O que vou falar tem a ver com seu pai.
- Meu pai? Mas ele está morto. Faleceu num acidente na estrada antes de eu nascer.
-Não, filha. Ele está vivo.
- Por que? Como? Onde?
-Filha, o que vou lhe contar será impressionante. Seu pai acabou de passar frente de nossa casa.
A filha, surpresa com a notícia, sai correndo para a porta, mas, atravessando a rua, ouve a palavra:
- Filha...!
Chrystian Weslley de Sousa Cavalcante dos Santos
Foto:http://downloads.open4group.com/wallpapers/menina-correndo-fe9bf.jpg

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