
De repente Dona Carolina deixou cair o garfo e soltou um grunhido. Todos se precipitaram para ela, abandonando seus lugares a mesa: a filha, o genro, os netos:
_ Que foi mamãe?
_ Dona Carolina, a senhora está sentindo alguma coisa?
_ Fala conosco, vovó.
A velha estava de boca aberta, mas mesmo assim não pronunciava nenhuma palavra. Seus olhos apresentavam-se arregalados, porém não olhava para lugar algum. Suas mãos trêmulas, como de quem temia alguém.
Dentro da casa da velha, escutava-se uma gritaria, onde não se conseguia distinguir de quem era a voz de cada grito daquele que chamava multidões para prestar socorro.
A filha e a neta entraram em uma discussão sobre os possíveis problemas que a velhinha podia apresentar. A netinha dizia para a mãe que talvez tivesse ocorrido um infarto, que por milagre de Deus, tornou a viver sem ajuda de ninguém. O genro argumentou que a empregada poderia ter envenenado a velha.
Dentro os gritos de desespero e os palpites do possível problema da senhora, deparei-me com a empregada que ria no canto da cozinha dizendo :
_ Meu plano deu certo.
Já ia dar um pulo de alegria,quando a velha mexe os braços, dizendo :
_ Não foi dessa vez. Vi todo o seu plano e ensaiei uma cena para deixá - la feliz. Desculpa família. Agora pegue suas trouxas, se mande daqui.
A empregada fez o que foi pedido, quando estava na porta de entrada, disse:
_ Vocês vão sentir na pele o que é cuidar de velho.
Mary.*
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