Estou me olhando no espelho pela quinta vez e ainda não é nem meio dia. Acontece que eu realmente preciso perder alguns dos meus 187,5kg. Eles estão começando a me incomodar. Dou uma olhadinha na minha barriga. Definitivamente diminui desde os 5 minutos atrás, quando eu olhei pela última vez. Já que eu já tive o almoço 1 e o almoço 2, minha alma de magra não me permite ter o almoço 3.
Realmente estou melhorando. ‘Compras’, pensei. Vou estrear meu mais novo corpo. Minha mãe diz que as três abdominais que fiz ontem não adiantaram de nada, mas sinto que ela está com inveja do meu desempenho. Nada como uma tarde de comida, ops, compras.
Escolho a loja Roupas Finas, minha predileta! Não compro nada lá, pois dizem que suas roupas não se adaptam ao meu corpinho com curvas. Agora isso é passado! Entro lá, com a maior confiança. Até que a atendente é simpática, a fofa. ‘Gostaria de comprar um presente para alguém?’ Ela ainda acha que eu sou generosa! Sorrio para ela e pego uma calça jeans 46. Tudo bem que o meu numero antigo era 70, mas a gente se adapta, certo? Afinal, o jeans cede, não é mesmo? Todos eles cedem.
Vou ao provador. Mal reconheço a mim mesma. Tão confiante! Acho que já emagreci mais alguns quilos, só de empolgação! Suor é sinônimo de calorias a menos, certo? Nem acredito nisso. Coloco a primeira perna. E depois a segunda, ela subiu! Bem, até as coxas. Bom, agora só me resta usar a técnica de ‘prender a respiração’. Todo mundo faz isso, certo? Todas as celebridades e tal. Pronto. Deu certo! Uau, estou linda. Vou comprá-la!
Espera. Quanto custa?
O QUÊ???
Hm, melhor tirar. Isso aqui custa o preço do meu carro, ou da minha casa. Talvez o preço da minha mãe. É, vou tirar.
Agora é só prender a respiração mais uma vez. Talvez duas. Na verdade, três é o número da sorte.
Ai, meu Deus. Ela não sai! É tão perfeita que não quer deixar o meu corpo. Bom, e agora?
Liguei para a minha mãe. Ela disse que ia me buscar. Tenho certeza de que ela vai adorar! Preferi não citar o preço.
Agora estou numa maca. Isso mesmo. Na verdade, quando minha mãe veio me buscar, eu não consegui ir ao seu encontro, minhas pernas não se mexiam! Fiquei um pouco preocupada. Mas, quando os médicos chegaram, fiquei mais calma. Eles disseram que precisavam de uma maca especial para me levar, só porque eu sou especial. E também teve alguma coisa bacana para me levar até a maca; tipo um guindaste. Tiveram até bombeiros.
Foi bem legal. Escuto uns estalos... a calça está sendo rasgada, tanto investimento e eles estão destruindo a minha calça?
Bom, pelo menos tudo isso teve um lado positivo. Sinto minhas pernas mais finas agora, e visualmente dá pra perceber isso, bom, eu acho.
Mariana Lima

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