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| TEXTO DE RV RIBEIRO |
Os primeiros anos de vida suscitaram em mim o gosto pela aventura. O meu pai dizia não saber bem o porquê da existencia e vivia mudando de trabalho, de mulher e de cidade. A característica mais marcante de meu pai era sua rotatividade. Dizia-se filósofo sem livros, com uma única formatura: o pensamento. Eu no começo achava meu pai tão-só um homem amargurado por ter sido abandonado pela minha mãe quando eu era de colo. Morávamos então no alto da Rua Ramiro Barcelos, em Porto Alegre, meu pai me levava para passear todas as manhãs na praça Júlio de Castilhos e me ensinava os nomes das árvores, eu não gostava de ficar só nos nomes, gostava de saber a característica de cada vegetal, a régio de origem. Ele me dizia que o mundo não era só aquelas plantas, era também as pessoas que passavam e as que ficavam e que cada um tem seu drama.
Ficava pensando no que ele disse: será que é tão importante as pessoas que por aqui passam? Essa questão ficou rondando minha "cachola" a ponto de tomar uma decisão: iria investigar o dia-a-dia da praça Júlio Castilhos. Ás sete da manhã, já estava de "detetive" no banco da praça, fingindo ler o jornal do dia enquanto observava as pessoas. Ao meio dia, já estava cansado e não tinha visto nada de importante, só o vai e vem de pedestres. Em cinco horas, não cheguei à conclusão alguma, então, por que meu pai dissera que cada pessoa tem seu drama, sua importância?
Fui falar com meu pai, disse-lhe que estava enganado, que na praça só existiam pessoas para la e para cá, nada demais. E ele veio-me com mais uma de suas frases que me intrigam, retirada do Pequeno Príncipe: "O essencial é invisivel para os olhos." Na hora, apenas sorri.
Decidi continuar minha investigação, queria provar para o meu pai que ele estava errado. No quarto dia, descobri a raíz de minhas dúvidas. Meu pai tinha razão! Além de cada árvore daquela ser única na praça, cada pessoa também era, cada uma com uma história: a velha que discutiu com o dono da banca de revistas, que por sua vez ajudou o menino pobre dando-lhe canetas, que por sua vez acolheu e deu nome ao gatinho abandonado pelo "dono das indústrias"... E assim o ciclo vai se formando, é só olhar com o coração.
Fui falar com meu pai, disse-lhe que estava enganado, que na praça só existiam pessoas para la e para cá, nada demais. E ele veio-me com mais uma de suas frases que me intrigam, retirada do Pequeno Príncipe: "O essencial é invisivel para os olhos." Na hora, apenas sorri.
Decidi continuar minha investigação, queria provar para o meu pai que ele estava errado. No quarto dia, descobri a raíz de minhas dúvidas. Meu pai tinha razão! Além de cada árvore daquela ser única na praça, cada pessoa também era, cada uma com uma história: a velha que discutiu com o dono da banca de revistas, que por sua vez ajudou o menino pobre dando-lhe canetas, que por sua vez acolheu e deu nome ao gatinho abandonado pelo "dono das indústrias"... E assim o ciclo vai se formando, é só olhar com o coração.
Hoje, três anos depois do falecimento de meu pai, eu posso dizer mais uma vez: meu pai tinha razão!
RV Ribeiro
RV Ribeiro

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