terça-feira, 3 de maio de 2011

O Pequeno Reino Qualquer

    Estava vasculhando minhas gavetas, procurando por qualquer coisa, quando, entre os muitos papeis, encontrei uma pequena coroa de papelão. Não era bonita, com sua pintura irregular e suas bordas mal-cortadas, mas, olhar para ela me levou de volta a algum lugar.
   Levou-me de volta a um pequeno reino qualquer com um nome estúpido. E, de repente, era eu a rainha do reino qualquer, e sob os meus pés encontrava-se um longo tapete vermelho. Meus súditos corriam e gritavam em minha frente, enquanto eu ria e arrumava a coroa em minha cabeça.
   Na realidade, era um reino simples, com castelos feitos de areia, um tapete que era, na verdade, uma toalha, sem banquetes e sem princesas com vestidos espalhafatosos. E, no canto, deitado sob uma árvore, encontrava-se o que acreditávamos ser um dragão: um pequeno labrador dourado que dormia sem ligar para o movimento.
   Nada disso, porém, parecia importar para os moradores do pequeno reino qualquer com um nome estúpido. Tudo era real e verdadeiro, até mesmo o dragão.
   Quando o tal dragão acordou, toda a artilharia do pequeno reino estava preparada. O ataque foi bem arquitetado, mas o dragão respondeu-o com poderosas lambidas. Percebemos então que ele era forte demais e que o exército do pequeno reino não seria capaz de vencê-lo.
   Por isso, preferimos erguer a bandeira branca e entrar em casa para comer uns biscoitos.
   Depois disso, eu estava de volta ao meu quarto, com a coroa na mão. Já não era rainha de lugar nenhum, era só uma pessoa grande segurando o brinquedo de uma criança. E pessoas grandes não podem ser reis, piratas nem astronautas, a não ser que de fato o sejam. Guardei a coroa e, junto dela, as lembranças que tinha do pequeno reino.

Imagem:http://www.corbisimages.com/images/42-20049891.jpg?size=572&uid=bafb7328-98ac-43dd-a5c4-2d0e228834cd&uniqID=04fe6ad9-700c-4881-8e78-f65c0fcbd800

Ana Beatriz Moura

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